terça-feira

eu tinha medo. mas você veio tão calmo, quieto… que aqueceu meus pensamentos de tal maneira que os contos de fadas tornaram-se reais.



I hate it when you really miss someone and they don’t even think about you.



I got lost in the silence.


Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.

sexta-feira

#
Esses ventos inquietos que passam e me chamam para caminhar e passear por aqueles antigos bosques e antigas esquinas que abrem em minha mente a flor silenciosa da lembrança...
Essas lembranças que nos vem às vezes... de onde? de quem? Lembranças tão perdidas e que mesmo assim fazem esse coração gasto e inconsequente bater mais forte.
Não, não sei o que querem de mim essas árvores, essas esquinas que só de um olhar ficam tão minhas e latejam a cada instante as passadas memorias.
Faz tanto frio...
Suspiro em frente ao espelho e vejo esses olhos cor-de-cinza desaparecendo, igual a este rosto onde o tempo escorre. Tempo que passa e pergunta: "A tua vida, que fizeste dela?" Só então percebe-se que as lembranças mais leves são as únicas que o vento não leva:
"um carinho no momento preciso"
"bosques antigos onde é bom sonhar"
"a inquieta voz do vento chamar".

quinta-feira

*
Finalmente o tempo vai...
Passo pelas antigas esquinas e não sinto
[mais os mesmos sentimentos.
Recordo ainda aqueles dias de uma luz
[tão mansa.
Dias que deixava você, sempre, de lembrança

um beijo,

um beijo doce.

Os olhos cheios de imensidão, que brilhavam
cada vez que abriam
Hoje só refletem esses dias nublados,
[silenciosos...
Silêncio que doi uma dor profunda e desmedida.

Passa tempo...
Hoje ainda lembro do meu Rio com
[Janeiro.
Meu fevereiro com carnaval.

sexta-feira

Era uma vez um coração

Sara Aboobakar Fakir

Era uma vez um coração. Vivia só num lugar longínquo, rodeado de sonhos. Tinha cerca de quarenta anos de vida, longa caminhada percorrida, muitos embates sofridos e inúmeras palpitações. Por anos vivera dorido, angustiado, e por muitos fora magoado! Já nem triste sabia ser, este coração, quando um dia decidiu, retirar-se. Mais ninguém o magoaria. Reformou-se!

Vivia os dias tranqüilos, e as noites sem sobressaltos. Sonhava. Sonhava...

Pelo sonho, viajava em ilusões fantasiadas. Navegava... A bordo das gaivotas, esvoaçava pelas transparências do Índico, em busca de tranqüilidade. Aprendia a viver. Era feliz o coração!

Pelas estrelas do Índico, seus novos amores, vagueava! Sonhava as ilhas das doces fragrâncias, perfumadas por árvores de mil cheiros. Embriagava-se de exóticos perfumes. Era feliz...

Pertenciam-lhe já os mistérios, as belezas, os perfumes, as cores... os labirintos e ruelas com sabor de canela, amava-os já!

Sonhava nas praias de sonho.

Até que um dia...

Inesperadamente, surgiu um outro coração. Aquele amigo de longa data, daqueles anos sofridos, a quem suas mágoas ia contar!

Feliz, por ter seu amigo de volta, eis que o coração, do seu lugar longínquo decide regressar!

Carente, já velho e cansado, depressa ao amigo se abriu. Desprevenido.

Juntou-se ao outro coração e, foi feliz! Esqueceu-se até das estrelas, seus amores. Esfumou-se o sonho das ilusões fantasiadas; o sonho nas praias de sonho, e do seu espaço longínquo regressou. Ficou novo, rejuvenesceu. Deixou de sonhar.

Um ano depois, chora de novo ferido, magoado e muito magoado o coração.

Tinha sido um pesadelo!